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sábado, 26 de outubro de 2013

O tricampeonato de Dixon e o domínio da Ganassi

texto originalmente publicado em 23 outubro 2013 no site ElasComentam
Era madrugada de domingo no Brasil quando Scott Dixon cruzou a linha de chegada do Auto Club Speedway, em Fontana, Califórnia, em quinto lugar e conquistou o terceiro título mundial na categoria norte-americana. Na última prova da temporada, o piloto da Ganassi superou o brasileiro Helio Castroneves, da Penske, que terminou em sexto,  ficou com o vice-campeonato e adiou o sonho de alcançar o primeiro título. 
Embora tudo indicasse para dar a lógica, já que o neozelandês chegava em Fontana líder e demonstrou ter um carro bem acertado para o final de semana, Dixon perdeu posições por conta da troca de motor e largou na 17ª posição. Além disso, conseguiu sobreviver a uma corrida de resistência no oval de duas milhas, não só pelo tempo de prova, mas também porque dos 25 carros que começaram a corrida, apenas nove receberam a bandeirada final. Aos poucos ele aproveitava as bandeiras amarelas e as relargadas para fazer uma corrida de recuperação. Chegou até mesmo a liderar por cinco voltas! Mas é claro que a estratégia e a experiência da equipe foram fundamentais para lidar até mesmo com o superaquecimento do carro #9 nos momentos finais da corrida.
Até a primeira metade do campeonato muita gente disse que a Ganassi era a decepção da temporada. Até falei sobre isso no texto “Liderança ameaçada”, ao comentar a reação do time de Chip Ganassi e do motor Honda, principalmente depois dos pilotos da equipe (Scott Dixon, Charlie Kimball e Dario Franchitti) subirem ao pódio na etapa de Pocono e na sequência, Dixon vencer as provas da rodada dupla de Toronto, no Canadá.
Helio Castroneves fez um campeonato constante, mas pouco agressivo. Terminou as 19 provas da temporada (assim como o estreante Tristan Vautier, da Schmidt Peterson Motorsports), mas conquistou apenas uma vitória. Esteve 16 vezes entre os dez primeiros na classificação, sendo que só perdeu a liderança em Houston, na penúltima etapa. Enquanto isso, Dixon terminou 17 provas, conquistou quatro vitórias e esteve 12 vezes no Top 10. E em meio a tantos números, descobri que o de voltas lideradas por eles foi o mesmo: 239.
Vale registrar que Will Power, companheiro de equipe de Castroneves, venceu três vezes nesta temporada – Sonoma, Houston e Fontana – e também conquistou outra boa marca: 351 voltas em primeiro lugar. O australiano terminou o campeonato na quarta colocação com 498 pontos.
Não deve ter sido nada fácil para Castroneves ficar mais uma vez com o vice-campeonato e ainda perder o título para o mesmo rival de cinco anos atrás. É fato que ocorreram alguns erros na prova de Fontana, como o de Roger Penske (sim, o dono da equipe e estrategista) ao chamar o brasileiro para os boxes quando o pitainda estava fechado, ou ainda o problema na asa dianteira depois do toque em Charlie Kimball. Castroneves foi para o boxes e retornou uma volta atrás do líder. Tentou seguir na briga para conquistar o título, já que vinha forte e determinado a virar o jogo. Mas o problema maior mesmo tinha sido na etapa de Houston quando o carro #3 teve problemas o que permitiu a virada de Dixon. Por isso, aproveito para deixar aqui uma frase do próprio Helio que diz: “apesar de ser você quem está pilotando o carro, o automobilismo é um esforço de equipe, você não está sozinho, embora de vez em quando se sinta assim.”. E por mai sum ano a Penske não consegue sair do jejum de títulos, já que o último foi conquistado em 2006 na IRL pelo norte-americano Sam Hornish Jr.
Enquanto isso, o time do ex-piloto norte-americano Chip Ganassi mantém a hegemonia e coleciona troféus. De 2008 até agora, a equipe já conquistou cinco campeonatos, sendo dois com Dixon (2008 e 2013) e três com Franchitti (2009, 2010 e 2011). Isso sem contar outros campeões que passaram pela equipe como Jimmy Vasser (1996), Alessandro Zanardi (1997 e 1998), e Juan Pablo Montoya (1999).
No fim da temporada o que fica para quem acompanhou a IndyCar são os momentos de uma categoria que aos poucos tenta se reinventar com rodadas duplas e largadas paradas, tudo para atrair mais público. Apesar de a etapa brasileira ter atraído bastante gente e conseguido um bom nível de organização, não está no calendário para 2014. A seguir, cenas dos próximos capítulos…
Destaco, ainda, o trabalho de Tony Kanaan na KV Racing. O piloto que venceu as 500 Milhas de Indianápolis, e chegou em terceiro em Fontana, terminou o ano na 11ª posição no campeonato, mas conquistou um título: o “Fan Favorite Award” de piloto mais popular da categoria em 2013. E ano que vem, TK tem um novo desafio: ser piloto da equipe Ganassi e companheiro dos campeões Franchitti e Dixon. (Ele poderia ter ganhado o título de o melhor piloto das relargadas, mas esse a gente sugere em outra oportunidade).
E falando em prêmio, Tristan Vautier conquistou o de “Rookie of The Year” Além de ser o único novato do campeonato, ele disputou todas as etapas e levou um cheque de 50 mil dólares. Já Scott Dixon voltou para a casa com um milhão de dólares a mais no bolso e a réplica do Astor Cup, o troféu oferecido aos campeões da categoria.
#Rapidinhas
DTM: Timo Glock venceu a última etapa do DTM em Hockenheim, na Alemanha. O ex-piloto de F1 administrou o carro na pista molhada e subiu ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez na temporada. Ao chegar na primeira colocação, o alemão ajudou a BMW a conquistar o título de construtores, superando a Audi. Augusto Farfus sofreu um toque de Timo Glock, fez uma corrida de recuperação e chegou em 11º lugar. De qualquer forma, este ano não poderia ter sido melhor para o brasileiro que venceu três corridas e terminou o campeonato em segundo lugar. O DTM retorna em maio do ano que vem e a corrida que abre a temporada também será no circuito de Hockenheim.
StockCar: Átila Abreu (Mobil Super Pioneer Racing) venceu a décima etapa da Stock Car disputada em Curitiba (PR). Depois de largar na pole, o piloto do carro #51 até chegou a perder a primeira posição, mas ao conseguir ficar mais tempo na pista e poupar os pneus, abriu vantagem na parada dos boxes e voltou na frente dos rivais. Átila encerrou o jejum de vitórias justamente na pista onde venceu a última corrida no ano passado. Completaram o pódio Thiago Camilo (Ipiranga-RCM) e Daniel Serra (Red Bull Racing), pilotos que estão em segundo e primeiro lugar na disputa pelo campeonato.
Fotos: Site oficial Scott Dixon
Twitter: @prikinder

sábado, 19 de outubro de 2013

Deus tem um plano

Falta pouco para a largada do grande prêmio de Fontana, na Califórnia, a 19ª e última etapa desta temporada da IndyCar.

Foto: Priscila Cestari/2013
Scott Dixon e Helio Castroneves podem ser campeões nesta noite (no horário de Brasília, a corrida terá início às 22 horas). O neozelandês busca o terceiro título mundial, enquanto o brasileiro corre atrás do primeiro.

Antes da decisão, quero deixar registrada a minha torcida pelo Helinho e dizer que acredito sim nessa conquista.

Porque hoje pela manhã abri o livro "O Caminho da Vitória" e logo no início, ele narra o momento anterior à vitória das 500 Milhas em 24 de maio de 2009.

Registrei esse episódio naquela época no texto Dando a volta por cima. Fiquei feliz pela conquista dele porque depois de ter sido acusado de evasão fiscal nos Estados Unidos, de ter sido preso, julgado e enfim ter sido absolvido pela justiça norte-americana, Helio conquistava a terceira vitória no Indianapolis Motor Speedway.

Coincidentemente, pensei nesse acontecimento hoje. No dia em que ele precisa, novamente, lembrar do lema do pai, seu Helio, que diz "para ser um campeão, você tem de agir como um campeão". Agarrar o volante e ter concentração. Pensar que uma corrida não se vence na primeira volta e que é preciso aguentar firme e manter o controle.

Foto: Priscila Cestari/2013
Tenho fé em Nossa Senhora Aparecida, assim como sei que você e toda a sua família tem. Quando eu conheci a cidade de Aparecida neste ano, olhei fixamente para as suas luvas que estão lá em agradecimento à vitória nas 500 Milhas e senti uma energia muito boa. Não sei se teve a ver ou não, mas naquele dia você venceu no Texas.

Então, deixo aqui minha homenagem e minha torcida para que esse campeonato venha depois de nove anos do nosso jejum... lembra que o Tony Kanaan foi campeão no oval de Fontana em 2004? Por que você não pode repetir essa dose e fazer desse um circuito que dá sorte aos brasileiros?

Foto: Amauri Biarge/2011

Deus tem um plano.

E seja qual for esse plano hoje, Helio, estarei com os melhores e maiores pensamentos para você. Lembrando do seu sorriso nas vezes que nos encontramos e claro, mandando todas as melhores energias para que tudo dê certo no final.

Boa sorte, campeão!

"É preciso manter o controle e sempre acreditar em si mesmo. E, lembre-se, se houver problemas - e haverá - é porque existe uma solução para eles". (Helio Castroneves)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A hora da virada

texto originalmente publicado em 08 de outubro 2013 no #ElasComentam

Helio Castroneves começou o último final de semana como líder do campeonato da Indycar e com 49 pontos de diferença para o segundo colocado, o neozelandês Scott Dixon. Mas a rodada dupla disputada em Houston, no Texas, mudou os rumos dessa história e acrescenta mais emoção nessa reta final. Pelo oitavo ano consecutivo, o campeão da temporada vai ser conhecido apenas na última etapa, desta vez no circuito oval de Fontana, na Califórnia.
Na primeira corrida no Reliant Park, disputada no sábado, o brasileiro largou na 21ª posição e com problemas no câmbio, terminou a prova em 18º lugar. Já o piloto da equipe Ganassi largou em segundo e conquistou a vitória em Houston, a quarta dele na temporada. Com o primeiro lugar, Dixon diminuiu a diferença para Castroneves para oito pontos.
A esperança era de que no domingo as coisas fossem diferentes. Pela manhã, uma forte chuva impediu a classificação para a segunda prova e o treino que decidiria a ordem dos pilotos no grid foi cancelado. A direção de prova decidiu que os pilotos largariam confirme a classificação no campeonato, e pelo regulamento, valeria a ordem depois do fim da rodada anterior, ou seja, a etapa de Baltimore, e não a primeira corrida de Houston. Assim, Castroneves e Dixon largaram na primeira fila.
A alegria de sair na frente durou pouco para o carro #3: na 11ª volta, Helio voltou a ter problemas na caixa de câmbio. Foi para os boxes, esperou várias voltas até o carro ser consertado, retornou à pista e conseguiu terminar a prova na 23ª colocação. Dixon liderava a corrida quando Will Power, companheiro de equipe de Castroneves, aproveitou a relargada depois de uma bandeira amarela e ultrapassou o piloto da Ganassi. A vitória do australiano (a segunda dele do ano) impediu que Dixon disparasse no campeonato e garantiu que a diferença entre o brasileiro e o neozelandês ficasse em 25 pontos.
Para a etapa decisiva que será disputada no dia 19 de outubro, no circuito oval de Fontana, o neozelandês agora é o favorito para conquistar o terceiro título. Estão em jogo 53 pontos, mas, para que esse quadro se reverta e a Indy tenha um campeão inédito, Helio precisa vencer a prova e torcer para que Dixon termine a corrida acima do oitavo lugar. É o momento do tudo ou nada. E que vença o melhor!
Ao voltar cinco anos no “túnel do tempo”, encontrei várias coincidências: a disputa do título aconteceu entre os mesmos pilotos e o campeonato também foi decidido em um circuito oval, mas o de Chicago (Chicagoland Speedway). Para quem não se lembra, nas últimas voltas os carros de Castroneves e Dixon ficaram lado a lado. O brasileiro cruzou a linha de chegada com 0s003 a frente, mas nem mesmo a vitória foi suficiente para impedir que o neozelandês, com o segundo lugar, conquistasse o bicampeonato.
Nos circuitos ovais nesta temporada (Indianapolis, Texas, Milwaukee e Iowa), o tricampeão das 500 Milhas terminou na frente de Dixon em todos, inclusive conquistou a única vitória até aqui no Texas Motor Speedway. Mas o piloto do carro #9 está na frente em outro ranking: tem quatro vitórias e liderou, até a 18ª etapa, um total de 254 voltas, contra 212 voltas de Castroneves.Essa decisão vai ser muito acirrada. Apesar de o campeonato ter sido equilibrado, Penske e Ganassi mostraram que continuam fortes. Para quem, no início da temporada, não acreditava que o time de Chip Ganassi, mesmo com dois campeões mundiais e vencedores das 500 Milhas, pudesse reagir, chegamos à reta final com a certeza de que todo jogo pode ser revertido.
#Rapidinhas
Acidente em Houston: A segunda corrida foi marcada por um acidente na última volta entre Dario Franchitti e Takuma Sato. Ao tentar ultrapassar Sato, Franchitti acabou acertando a traseira do carro do japonês, decolou e bateu contra o alambrado. Com o impacto, vários pedaços do carro #10 voaram em direção aos torcedores que estavam nas arquibancadas. Segundo a organização da prova, 13 pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade. Dario Franchitti foi imobilizado pelos médicos e teve de ser transferido para o Memorial Hermann Hospital, em Houston. Ele sofreu uma fratura no tornozelo direito e em duas vértebras, além de ter levado uma pancada na cabeça. Pelo twitter, o escocês tranquilizou os fãs agradecendo a todos pelas mensagens. A última atualização do boletim médico informou que Franchitti passou por cirurgia para estabilizar a fratura e ele vai ficar mais alguns dias no hospital. Ainda nesta semana o piloto deve ser transferido para Indianápolis para novas avaliações.
Fórmula 1: O caminho para Sebastian Vettel se tornar o piloto mais jovem a conquistar o tetracampeonato de Fórmula 1 está livre. E com os adversários cada vez mais distantes. Na madrugada de sábado para domingo, o alemão venceu o GP da Coreia do Sul, em Yeongam. Essa foi a oitava vitória na temporada e a quarta consecutiva. Agora, o piloto da Red Bull tem 272 pontos contra 195 pontos do segundo colocado Fernando Alonso, que chegou em sexto lugar. Completaram o pódio os carros da Lotus: Kimi Raikkonen e Roman Grosjean. Felipe Massa rodou na primeira volta e fez uma corrida de recuperação, terminando a prova em nono lugar. A vantagem de 77 pontos pode dar a Vettel o título no próximo domingo em Suzuka, no Japão. Se o alemão vencer, precisa torcer para que o espanhol termine a prova em no máximo na oitava colocação para garantir o título. Em 2011 Vettel conquistou o bicampeonato no Japão, com quatro corridas de antecedência.
Tony Kanaan em nova equipe para 2014: 
O mistério chegou ao fim. Campeão das 500 Milhas deste ano, Tony Kanaan vai correr pela equipe Ganassi na temporada do ano que vem. O brasileiro estará no quarto carro da equipe de Chip Ganassi, um dos mais vencedores da história da Indy. Kanaan volta a ser companheiro do amigo, o escocês Dario Franchitti (tetracampeão), além do neozelandês Scott Dixon (bicampeão) e do norte-americano Charlie Kimball. Esta é a sexta equipe que TK faz parte em 16 anos correndo nos Estados Unidos e já passou pelas equipes Tasman, Forsythe, MoNunn, Andretti e a atual KV. Curiosidade: em 15 temporadas da Indycar, Kanaan é o recordista no número de largadas (273), tem 16 vitórias, 15 poles e liderou 3.336 voltas. Além de ser o campeão da temporada de 2004.

Fotos: David Phillip/AP
Twitter: @prikinder

domingo, 22 de setembro de 2013

Levantou poeira

texto publicado originalmente em 14 de agosto 2013 no site #ElasComentam

A sétima etapa da Stock Car disputada em Ribeirão Preto durante o fim de semana poderia ter tido facilmente uma trilha sonora: “Poeira”, de Sergio Reis. Resgatando algumas raízes do interior paulista, lembrei-me de que a música fala de um carro de boi que vai levantando poeira, poeira vermelha no sertão. No caso do automobilismo quem levantou muita poeira vermelha, mas no asfalto e com carro de turismo, foi Thiago Camilo (Ipiranga-RCM). Depois da largada ele passou de quinto para o terceiro lugar e com as ultrapassagens sobre Átila Abreu (Mobil Super Pioneer Racing) e Max Wilson (Eurofarma RC) nas voltas finais, o piloto do carro #21 conquistou a primeira vitória do ano e a 14ª na carreira.
Apesar de a corrida ser disputada em Ribeirão Preto pela quarta vez, o traçado agora é outro. A pista deixou de ser do lado do Mercadão, na zona sul, e foi para o Distrito Industrial, zona norte da cidade. A mudança fez diferença: como as ruas do novo circuito eram mais largas, foi possível acompanhar várias ultrapassagens e disputas por posições. Nas provas anteriores isso praticamente não existia porque a pista era estreita e sair nas primeiras filas era o que costumava garantir um bom resultado.
E falando em novidades, quem também era a atração da prova de Ribeirão era o “Pé Vermelho”(*) das pistas, Helio Castroneves. Apesar da maioria das pessoas acharem que ele é nativo da Califórnia Brasileira, ele nasceu em São Paulo. Com dois anos de idade, foi com a família para a cidade localizada no centro do estado. Viveu lá até 1995 quando se mudou para a Inglaterra, para disputar a Fórmula 3 Britânica. Seu Helio e dona Sandra vivem em Ribeirão Preto até hoje.
Mas, quiseram os deuses da velocidade (sim, sempre eles) que o piloto da Penske, líder do campeonato da Fórmula Indy, não disputasse a corrida em casa. Na sexta-feira anterior à prova, a bordo do carro da equipe Shell Racing/A. Mattheis Motorsport, Castroneves participava de um treino extra, justamente por ser convidado da categoria. Na reta, a 180 km/h, ficou sem freios, bateu no muro paralelo à pista e depois na barreira de proteção a 101 km/h. (Muro esse que, segundo a assessoria de imprensa do piloto, ele tinha apontado na quinta-feira como um ponto perigoso na pista.). O resultado: três pontos na canela, dores musculares e o veto do diretor médico da categoria, Dino Altmann.
Há quem diga que o problema com Castroneves foi muito ruim para a imagem da Stock Car. E que para ele correr na categoria, disputando um campeonato internacional, era um risco. Mas, mesmo com o acidente e fora da prova do domingo, todo mundo só falava dele e se tornou o centro das atenções. No final das contas, Helio assistiu a corrida na cabine de transmissão da TV Globo e ficou na função de comentarista convidado, ao lado de Sérgio Mauricio e Reginaldo Leme. E não é que ele até se saiu bem!?
A ideia de trazer pilotos internacionais para disputar campeonatos no Brasil sempre chama a atenção da mídia (e do público) e deveria ser melhor aproveitada. Isso me faz lembrar o final do ano passado com a Corrida do Milhão, em Interlagos. Assim como em Ribeirão Preto, os ingressos se esgotaram rapidamente porque na pista também estavam três pilotos que disputaram o campeonato da Indy em 2012: Helio Castroneves, Rubens Barrichello e Tony Kanaan. Todo mundo queria vê-los, estar perto e guardar uma lembrança. E isso sempre atrai muita gente para os autódromos.
A vitória em Ribeirão Preto levou Thiago Camilo ao terceiro lugar no campeonato, com 112 pontos. O novo líder é Cacá Bueno (Red Bull Racing) com 124 pontos, e Ricardo Maurício (Eurofarma RC), ocupa o segundo lugar, com 123 pontos. Faltando cinco provas para o fim da temporada, a briga pelo título está cada vez mais acirrada. A próxima etapa será disputada em Cascavel, no Paraná, no dia 01 de setembro.
Fotos: Duda Bairros/Stock Car
(*) “Pé Vermelho” ou “Caipira” significa que a pessoa é do interior dos estados de São Paulo, Paraná ou Goiás. No livro “O Caminho da Vitória” (Ed. Gaia, 2011), Helio Castroneves conta que em São Paulo, aos 12 anos, treinava com cerca de vinte pilotos da mesma idade, entre eles Tony Kanaan, Felipe Giaffone, Bruno Junqueira, Rodrigo Casarini e Enrique Bernoldi. Eles o chamavam de Caipira ou de Pé Vermelho, por causa da terra vermelha de Ribeirão Preto. “Eu fazia de tudo para provar a eles que, mesmo sendo um Pé Vermelho, era um Pé Vermelho bom”. (Acho que ele conseguiu!)
Twitter: @prikinder

Liderança ameaçada

texto publicado originalmente em 17 de junho 2013 no site #ElasComentam

Na semana passada, desejei lá na seção #Rapidinhas (que fica no final do texto) que o pódio triplo da equipe de Chip Ganassi, na pista oval de Pocono, pudesse servir de “inspiração e motivação” para o time voltar a vencer.
E não é que Scott Dixon deve ter mesmo se animado? Na IndyCar, ele venceu as duas corridas da rodada dupla disputadas no circuito misto de Toronto, no Canadá.
Além de se tornar o piloto em atividade com o maior número de vitórias (32 na carreira), o neozelandês do carro #9 assumiu a vice-liderança do campeonato. Agora está a 29 pontos do brasileiro Helio Castroneves, que tem 425 pontos. E deixou para trás o atual campeão, o norte-americano Ryan Hunter-Reay (Andretti), com 356 pontos.
As vitórias para a Ganassi só chegaram depois da metade da temporada, é verdade. Mas é bom relembrar que Dixon já tinha subido ao pódio ao conquistar o segundo lugar na corrida do Alabama. Pelos resultados, deu para notar também que o motor Honda evoluiu bastante depois da corrida em Indianápolis. Se o neozelandês não tivesse conquistado pontos importantes na primeira parte do campeonato, não adiantaria muito vencer três vezes seguidas.
Há quem diga que Dixon se manteve na primeira parte do campeonato numa disputa “na raça”, enquanto que o companheiro Dario Franchitti teria “perdido o fôlego”. Dois campeões mundiais e que estão há tanto tempo nas pistas dependem mais de um bom carro do que provar que são bons pilotos. Assim como Dixon, o  escocês subiu ao pódio nas duas últimas etapas: foi terceiro colocado em Pocono e na primeira prova de Toronto. Ele conseguiu a pole três vezes, mas só largou na frente em duas: Long Beach e a primeira corrida de Toronto (porque na primeira corrida de Detroit, o piloto foi punido e perdeu posições por conta de troca de motor). Faltando seis provas para o final da temporada, Franchitti ocupa a 7º posição no campeonato, com 307 pontos – o mesmo número de pontos do brasileiro Tony Kanaan (KV Racing), que tem uma vitória conquistada em Indianápolis.
Costumo dizer que regularidade, algumas vezes, faz mais diferença do que número de vitórias. E os pilotos costumam tirar bom proveito disso. Apenas Scott Dixon e James Hinchcliffe (Andretti) têm três vitórias na temporada. Mas o canadense está apenas na oitava posição com 305 pontos. Assim como Hinchcliffe, o piloto da Ganassi também não fez nenhuma pole, mas apareceu no TOP-10 em oito vezes na temporada. Diferentemente de Helio Castroneves, que se manteve no TOP-10 em 12 corridas (das 13 disputadas), conquistou a pole em Iowa (mas não largou na frente), subiu ao pódio cinco vezes, está na liderança há oito etapas, desde a primeira prova da rodada dupla em Detroit. Mas o piloto da Penske venceu apenas uma vez, no Texas.
Apesar da liderança brasileira, é preciso ficar de olho no campeonato. Dixon saiu de quinto para segundo em uma semana, e a próxima corrida, no dia 4 de agosto, será no circuito misto de Mid-Ohio. Pista em que o neozelandês venceu quatro vezes, sendo a última no ano passado. E Helio Castroneves venceu duas, nos anos 2000 e 2001.
crédito das fotos: Getty Images
#Rapidinhas
O troféu: Ainda falando da Indy, uma cena inusitada aconteceu no pódio da primeira corrida disputada em Toronto. Sebastien Bourdais (Dragon Racing), segundo lugar na prova, ficou com a base do troféu nas mãos. A parte de vidro descolou e o francês, incrédulo, acompanhou o troféu “quicando” até quebrar no chão do pódio… Na foto oficia aparecem os troféus inteiros de Dixon e Franchitti, além do pedacinho (com a base) que sobrou do troféu do Bordais. Mico total!
A vingança: Não sou de acompanhar a DTM (Deutsche Tourenwagen Masters), que é o campeonato de turismo alemão que conta com montadoras como Audi, BMW e Mercedes.  Mas no domingo acordei cedo e assisti as voltas finais da quinta etapa disputada no circuito de rua de Norisring. Eis que vi um verdadeiro “bate-bate” na disputa de posições. O piloto Edoardo Mortara (Audi) tocou na traseira de Gary Paffet (Mercedes). O inglês não gostou nada disso: algumas voltas depois revidou a batida e jogou o carro italiano no muro, causando um acidente que tirou os dois pilotos da prova. Não bastasse essa confusão, o piloto Mattias Ekstrom (Audi) venceu a prova, mas algumas horas depois foi penalizado pela direção da prova porque recebeu uma garrafa de água. Isso infringe o regulamento do campeonato, que diz que o piloto “não pode receber nenhum objeto de terceiros antes de passar pela pesagem”. Com isso a vitória foi para o canadense Robert Wickens (Mercedes), a primeira dele no DTM. Mas a Audi ainda vai recorrer da decisão, que será julgada pela federação alemã de automobilismo.
Twitter: @prikinder

Na liderança

texto publicado originalmente em 17 de junho 2013 no site #ElasComentam

Na etapa de Milwaukee, em West Allis, no estado norte-americano de Wisconsin, Helio Castroneves foi o “Homem-Aranha” (**) do circuito oval. Não. O piloto da Penske não venceu, nem subiu no alambrado como fez no Texas no dia 8 de junho e nas outras 27 vitórias da carreira. A escalada, dessa vez, foi na pista durante a corrida. E o melhor de tudo: depois de nove etapas ele ainda segue na liderança.
Apesar de ter se tornado o “Mr. Texas” ao conquistar a quarta vitória em Fort Worth, e a primeira nesta temporada, o fim de semana começou sem muita expectativa para Castroneves. Durante o treino, problemas no ajuste da asa dianteira do carro #3 deixaram o piloto com o 18º lugar na classificação. Mas na largada saiu em 17º  porque Dario Franchitti (Ganassi) trocou o motor e perdeu dez posições no grid.
Começar a prova atrás não deve ter sido nada fácil, até porque correr em Milwaukee costuma ser um desafio. Apesar de só ter 1.015 milhas (ou 1,68 quilômetros), esse oval considerado um dos mais antigos do mundo (construído em 1903) conta com um traçado mais plano, já que as curvas quase não têm inclinações. O muro sempre parece estar próximo. As ultrapassagens, principalmente sobre os retardatários, são complicadas e nessa pista a pressão aerodinâmica é maior do que nas outras. O que se por um lado aumenta a aderência, por outro proporciona maior consumo de combustível e desgaste dos pneus.
E é aí que uma boa estratégia e o trabalho de equipe, somados à sorte de campeão, fazem a diferença!
Acredito que um acerto do carro mais adequado para a prova e a antecipação do primeiro pitstop, que veio em uma bandeira amarela provocada pelo acidente com Simona de Silvestro (KV Racing), foram fatores que, juntamente com a experiência de Helio, deram início à “escalada” do piloto durante a prova. Isso sem falar quando Marco Andretti (Andretti), o então vice-líder, teve problemas no reabastecimento, parou na pista e acabou retornando muitas voltas atrás, sem chances de alcançar Castroneves.
Em Milwaukee Mile, a vitória foi do agora vice-líder da temporada, Ryan Hunter-Reay (Andretti), com Helio em segundo e à frente do companheiro de equipe Will Power, que chegou em terceiro. E falando no australiano, Helio precisou se defender de uma ultrapassagem no final da prova, o que deve ter dado um pouco de cor aos cabelos branquinhos do patrão Roger Penske…
O resultado é uma conquista muito importante na briga pelo título. A diferença dele para Hunter-Reay é de 16 pontos, mas se levarmos em conta o histórico do brasileiro após nove etapas, foram quatro pódios e 299 pontos. Por incrível que pareça o pior resultado do piloto da Penske foi em casa, na São Paulo Indy 300, quando terminou a prova em 13º lugar. Mas, o que define a primeira metade da temporada é o equilíbrio: até aqui foram sete vencedores diferentes. Somente Ryan Hunter-Reay e James Hinchcliffe, ambos da equipe Andretti, têm duas vitórias no campeonato.
Agora, pilotos e equipes seguem para Iowa, na região centro-oeste dos Estados Unidos. O circuito oval é o menor da temporada, tem menos de uma milha (0,875 milha) e está localizado na cidade de Newton. A corrida será no próximo domingo, dia 23. E confesso que tem sido uma verdadeira maratona acompanhar a Fórmula Indy neste mês. Mal posso imaginar como deve estar a vida de pilotos e das equipes depois de quatro provas em três finais de semana seguidos… Haja fôlego e muito preparo físico!
** E por que Homem-Aranha? A marca registrada de Helio Castroneves surgiu, de maneira inusitada, no grande prêmio de Detroit, em 2000, na primeira vitória da carreira. Depois de cruzar a linha de chegada, ele estava tão emocionado que errou a entrada para os boxes.  Mas, ao ver a animação de um grupo de torcedores, parou o carro na reta e não teve dúvidas: escalou o alambrado e comemorou com o público. Helio quebrou o protocolo, atrasou a premiação, deve ter deixado a organização da corrida bem brava… só que aquela imagem saiu de Detroit para o mundo. Foi um jornalista norte-americano que, durante uma entrevista, deu a Helio Castroneves o apelido de Spider-Man. Para nós, o Homem-Aranha das pistas.
Twitter: @prikinder

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Helio Castroneves está na disputa pelo campeonato

**postagem publicada originalmente em 08/08/2012 no #elascomentam: http://www.elascomentam.com.br


A Fórmula Indy entra na reta final. Faltando três provas para o fim da temporada – Sonoma, Baltimore e Fontana – tem brasileiro na disputa pelo título: é Helio Castroneves, piloto da Penske. Ele tem 353 pontos e está na terceira posição do campeonato, atrás de Ryan Hunter-Reay, da Andretti, com 374 pontos e do líder Will Power, da Penske, com 379 pontos.

Power reassumiu a liderança na etapa de Mid-Ohio, disputada no último fim de semana em Lexington, nos Estados Unidos. Conhecido pela habilidade em circuitos mistos, o piloto australiano da Penske largou na pole position e claro, como favorito para vencer mais uma. Nas primeiras voltas foi pressionado pelo escocês Dario Franchitti (Chip Ganassi). Mas foi nos boxes que perdeu a primeira posição para Scott Dixon, da Chip Ganassi. O neozelandês administrou a vantagem e foi assim até o final da corrida. Dixon repetiu o resultado do ano passado, quando também venceu em Mid-Ohio. Completaram o pódio Will Power e francês Simon Pagenaud (Schmidt Hamilton). 
 
Entre os brasileiros, Tony Kanaan, da KV Racing, foi o grande destaque na prova. Depois de largar na 18ª posição, fez uma corrida de recuperação. Além de estar com um carro mais competitivo do que na última corrida, a estratégia de ir pra cima no estilo “sem medo de ser feliz” e fazer poucas paradas abriu caminho para as ultrapassagens. E assim ele terminou na sexta posição. Rubens Barrichello (KV Racing) foi o 15º e Helio Castroneves (Penske), o 16º. 

Helinho chegou em Mid-Ohio na vice-liderança, conquistada depois da vitória em Edmonton, no Canadá. Mas no domingo largou na 23ª posição porque trocou o motor após a classificação. Durante a prova, que não teve nenhuma bandeira amarela, o piloto brasileiro da Penske fez três paradas nos boxes, pegou muito tráfego e no final ainda precisou desacelerar um pouco para não correr o risco de pane seca. Mesmo assim, podemos ser otimistas: o campeonato ainda está aberto e ele continua na luta pelo título desta temporada. Vale lembrar que neste ano, Helinho venceu também a primeira etapa da Indy, realizada no circuito de San Petersburgo, na Flórida (EUA).

A próxima etapa da Fórmula Indy será no circuito misto de Infineon Raceway, em Sonoma, Califórnia, no dia 26 de agosto. 

#Momentocuriosidade:
Desde a corrida de Edmonton, no Canadá, os pilotos da Indy contam com uma novidade técnica: a volta do push-to-pass, dispositivo que permite aumentar a rotação do motor por alguns instantes e, consequentemente, facilitar a ultrapassagem. O sistema entra em funcionamento somente cinco segundos depois de o piloto acionar o botão no volante. O push-to-pass era utilizado pela categoria desde 2009, mas ainda não estava instalado no carro de 2012 (o modelo DW12, fabricado pela Dallara). O tempo de uso do sistema (quantos segundos durante toda a prova) é definido a cada corrida.

Twitter: @prikinder 

Créditos das fotos: AFP e Divulgação