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domingo, 22 de setembro de 2013

Resistência e superação: Le Mans, 90 anos

texto publicado originalmente em 17 de junho 2013 no site #ElasComentam

O clima das 24 Horas de Le Mans, na França, era de festa para celebrar os 90 anos de uma das mais famosas corridas do automobilismo mundial, assim como o grande prêmio de Mônaco e as 500 Milhas de Indianápolis.
De acordo com o Automóvel Clube do Oeste, que organiza a prova, 245 mil pessoas estiveram no último fim de semana no circuito de La Sarthe, com 13,629 quilômetros de extensão, para acompanhar essa lendária corrida que também faz parte do campeonato mundial de Endurance (WEC). Uma prova longa, de clima instável, de resistência e superação.
No grid da 81ª edição da corrida, 56 carros inscritos e entre eles os protótipos das categorias LMP1, LMP2, mais os carros esporte da classe LMGTE-Pro e LMGTE-Am. E a presença de 13 fabricantes: Audi, Aston Martin, Corvette, Ferrari, Honda, Lola, Lotus, Morgan, Oreca, Porsche, SRT Viper, Toyota e Zytek.
Além de marcar a nona vitória do dinamarquês Tom Kristensen, um recorde em Le Mans, com o carro da equipe Audi R18 E-Tron Quattro #2 (pilotado pelo escocês Allan McNish e o francês Löic Duval), a prova contou com um momento triste: a morte do também dinamarquês Allan Simonsen, de 34 anos.
O piloto da Aston Martin, na categoria GTE-Am, perdeu o controle do carro na quarta volta e bateu forte na curva Tertre Rouge. O guard-rail precisou ser substituído e a corrida ficou em bandeira amarela por quase uma hora. Depois de três horas, a organização da prova informou que Simonsen não tinha resistido aos graves ferimentos. O dinamarquês foi o 22º piloto a morrer na história da corrida, o primeiro desde o francês Sébastien Enjoiras, em 1997, nos treinos livres, e o primeiro em corrida desde o austríaco Jo Gartner, em 1986.
Sem dúvida, um fim de semana triste para o automobilismo mundial e mais ainda para a Aston Martin, que contava com carros em duas categorias para comemorar o centenário. A equipe até cogitou deixar a prova assim que a morte de Simonsen foi confirmada, mas a pedido da família do dinamarquês a montadora se manteve na disputa. Não deve ter sido nada fácil para o pessoal da Aston Martin continuar correndo depois do acidente, mas isso mostra que o dever (ou seriam contratos?) ainda fala mais alto do que perdas humanas.
Entre os pilotos da montadora britânica em Le Mans estava o brasileiro Bruno Senna que tinha grandes chances de vitória com o Vantage V8. O carro #99 saiu na pole e seguia na liderança da GTE-Pro quando, na 19ª hora da corrida, o francês Frédéric Makowiek bateu. Com isso, a equipe que também contava com o britânico Bob Bell, abandonou a prova.
Outro piloto que colocou o nome na história da principal corrida de endurance foi Lucas di Grassi. Junto com o espanhol Marc Gené e o britânico Oliver Jarvis, o brasileiro – que estreava em Sarthe –, subiu ao pódio depois de terminar a prova em terceiro lugar com o carro #3 da Audi. E falando em Audi, os alemães conquistaram em Le Mans nada menos do que a 12ª vitória nas últimas 15 edições da corrida.
Confesso que não tem como não se apaixonar por esses carros… Ano passado, estive nas 6 Horas de São Paulo, em Interlagos, e acompanhei de dentro dos boxes da Audi o último pit-stop de Lucas di Grassi. As fotos não eram permitidas e por isso a imagem daquele carro híbrido está registrada apenas na memória. A lembrança ainda guarda o corre-corre dos mecânicos, o cheiro de borracha dos pneus e um som assustador dos motores: o da frente é elétrico e o traseiro, turbodiesel.
As corridas do mundial de Endurance não carregam a mesma tradição da Fórmula 1 e aqui no Brasil as pessoas não têm muita afinidade com esse tipo de prova. Mas quem quiser conhecer de perto essas máquinas vai ter a oportunidade de acompanhar a quarta etapa do campeonato mundial no dia 1º de setembro, em Interlagos. Não dá para perder.
“Às vezes nos esquecemos que o esporte a motor é perigoso. Nós sorrimos e levamos tudo positivamente, para fazermos bem nosso trabalho, mas o risco está sempre ali. Em uma prova como essa, tudo é levado ao limite, e talvez por isso que esta corrida seja tão encantadora e desafiadora.” (Emanuele Pirro, tricampeão das 24 Horas de Le Mans e ex-piloto de Fórmula 1, ao lamentar a morte de Allan Simonsen)
*crédito da foto: Jean Michel Le Meur – DPPIMedia
#rapidinhas
- Registro aqui também uma nota triste do fim de semana no Brasil: a morte de Cristiano Ferreira, de 29 anos, que competia na classe GP Light, categoria da Moto 1000 GP, em Interlagos, na tarde do domingo. O piloto gaúcho perdeu o controle da moto e caiu na segunda parte da curva do “S” do Senna. Segundo a direção da prova, ele foi atropelado por outro piloto. Cristiano foi atendido na pista e devido a gravidade do caso, levado ao hospital, onde faleceu.
- Fórmula Indy/GP de Iowa: No oval de menos de uma milha, o canadense James Hinchcliffe (Andretti) venceu pela terceira vez na temporada. O companheiro de equipe Ryan Hunter-Reay chegou em segundo e Tony Kanaan (KV Racing) em terceiro lugar. Helio Castroneves (Penske) terminou a prova em oitavo, mas o resultado ainda garantiu a liderança do campeonato. Agora, com 332 pontos, o piloto brasileiro está apenas nove pontos na frente do norte-americano Hunter-Reay. Bia Figueiredo, que disputou a prova pela Dale Coyne, não terminou a prova. A próxima etapa será disputada em Pocono, Pensilvânia, no dia 7 de julho.
Twitter: @prikinder

Mônaco e Indianápolis: templos sagrados


texto publicado originalmente em 23 de maio 2013 no site #ElasComentam


Quem adora velocidade deve estar contando os dias para o próximo domingo. Desde quando saiu o calendário da Fórmula 1 e da Indy, a agenda ficou bloqueada para qualquer outro evento. E está devidamente identificada: 26 de maio de 2013 – dia sagrado do automobilismo mundial. Ou pelo menos, deveria ser! Não é todo ano que as duas corridas acontecem no mesmo dia. Mas quando isso ocorre é uma verdadeira maratona. Você mal termina de assistir a transmissão na Europa quando começa a dos Estados Unidos.

Na verdade, na Indy 500 os treinos começam na semana anterior ao da corrida com o Pole Day, que define o piloto que vai largar na primeira posição. Neste ano, quem sai na frente é Ed Carpenter. O norte-americano, nascido na cidade de Indianápolis, colocou o nome na história da 97ª edição das 500 milhas. Considerado a “zebra” do final de semana, o piloto do carro #20 conquistou a primeira pole da carreira e também a do seu próprio time, a Ed Carpenter Racing. Na pista, deixou para trás as favoritas Andretti e Penske ao marcar um tempo médio de 228 milhas por hora (aproximadamente 378 km/h). Carpenter ainda voltou para a casa com 100 mil dólares a mais no bolso, como prêmio pela primeira colocação. O melhor brasileiro no grid do Indianapolis Motor Speedway é Helio Castroneves. Três vezes vencedor das 500 milhas (2001, 2002 e 2009), o piloto da Penske vai largar na oitava posição. Tony Kannan (KV Racing) conseguiu o 12ª lugar no grid. Já Bia Figueiredo (Dale Coyne), depois de disputar no domingo o Bump Day, que define os pilotos que largam da 25ª até a 33ª posição, ficou com a 29ª colocação.

As 500 Milhas de Indianápolis são disputadas desde 1911. As provas só pararam durante a Segunda Guerra Mundial, por isso é que neste ano teremos a 97ª edição. Juntamente com o grande prêmio de Mônaco e as 24 Horas de Le Mans, são as três provas mais importantes do automobilismo mundial. Há quem diga que façam parte da chamada “Tríplice Coroa do Automobilismo”. As provas, que acontecem entre os meses de maio e junho, são as mais famosas, tradicionais e prestigiadas em todo o mundo. Eventos que desafiam máquinas, equipes e pilotos. Vale a pena conferir o vídeo promocional da Indy 500 deste ano, feito pela ESPN:

https://www.espnfrontrow.com/2013/05/espn-indy-500-promo-takes-viewers-from-1911-vintage-footage-to-present-day-racing-thrills/

Agora saímos do oval de 2,5 milhas (ou aproximadamente 4 quilômetros) nos Estados Unidos e seguimos para as ruas de Mônaco. A tradicional pista do circuito de Monte Carlo tem 3.340 metros, curvas famosas e estreitas (entre elas Sainte Devote, Mirabeau, Loews, La Rascasse), além de um túnel em que os carros atingem a maior velocidade na pista, que não ultrapassa 280 km/h. É o traçado mais lento e mais travado de toda a temporada. Quem faz a pole position no Principado tem grandes chances de conquistar o pódio. A maior referência que se tem de Mônaco é Ayrton Senna. Foi lá que, em 1984, o brasileiro apareceu para o mundo ao conquistar o primeiro pódio pela Toleman e até poderia ter vencido se a corrida não tivesse sido interrompida. Em dez provas disputadas em Monte Carlo, ele venceu seis. A primeira em 1987, pela Lotus, ainda contou com uma dobradinha no pódio com Nelson Piquet (Williams). Senna ainda venceu com a McLaren em 1989, 1990, 1991, 1992 (numa corrida inesquecível, depois de segurar o “leão” Nigel Mansell por cinco voltas) e em 1993, quando quebrou o recorde do inglês Graham Hill, que tinha cinco vitórias. Senna se tornaria o “Rei de Mônaco” ao chegar na frente pela sexta vez naquele charmoso circuito.
Entre tantos grandes prêmios disputados nas ruas de Monte Carlo, um inesquecível (e histórico) foi o de 1996. Com a chuva, os carros foram ficando pela pista e apenas quatro terminaram a prova: Olivier Panis (Ligier), David Coulthard (Mclaren), e os dois pilotos da Sauber: Johnny Herbert e Heinz-Harald Frentzen. A Sky Sports fez um vídeo no ano passado mostrando carros de diferentes temporadas pelas ruas de Mônaco:
O espaço aqui é muito pequeno para compartilhar tantas histórias desses templos sagrados do automobilismo. E ainda nem falamos das 24 Horas de Le Mans, que começou a ser disputada em 1923 e neste ano completa 90 anos (a prova também foi interrompida durante o período da Segunda Guerra Mundial). Os carros percorrem mais de 13 quilômetros no circuito francês que faz parte da temporada do FIA World Endurance Championship (WEC).
Sobre Le Mans você acompanha aqui no #elascomentam durante o final de semana da corrida, que será disputada nos dia 22 e 23 de junho.
E se fosse para escolher uma corrida para torcer pessoalmente, por qual delas você optaria? Mônaco, Indianápolis ou Le Mans?

No Twitter: @prikinder

sábado, 4 de agosto de 2012

Hamilton vence na Hungria e Alonso, em quinto, mantém a liderança


**postagem publicada originalmente em 31/07/2012 no #elascomentam: http://www.elascomentam.com.br

Antes de falar do final de semana da Fórmula 1, preciso dizer que essa corrida na Hungria foi muito chata. Desde que acompanho o mundial de automobilismo aprendi que Hungaroring é um circuito estreito, travado e com curvas de baixa velocidade que não favorecem as ultrapassagens. Só não seria monótono se chovesse por lá. Mas quiseram os “deuses da velocidade” que tudo fosse igual aos anos anteriores: muito calor, nada de chuva e pouca emoção.

Pódio GP da Hungria (AFP/Photo - Peter Kohalmi)
Depois de ter feito a pole position no sábado, Lewis Hamilton – em sua corrida de número 101 – saiu na frente na Hungria e dominou a corrida praticamente de ponta a ponta, só perdendo a liderança depois das paradas nos boxes. Mas não foi tudo tão tranquilo assim, afinal o inglês da McLaren foi incomodado pela Lotus: na primeira parte da corrida pelo francês Romain Grosjean e depois pelo finlandês Kimi Räikkönen.

Kimi foi responsável pelo momento que, pra mim, representou o de mais emoção da prova, quando na saída do pit-lane ficou lado a lado com o companheiro de equipe. O finlandês venceu o duelo contra Grosjean e assumiu o segundo lugar. Era a chance da Lotus aumentar o ritmo e se aproximar de Hamilton. Mas o inglês conseguiu suportar a bem pressão: abriu vantagem suficiente para conquistar a 19ª vitória da carreira, a terceira em Hungaroring e a segunda desta temporada.

Temporada que também viu pela segunda vez Räikkönen e Grosjean fazerem uma dobradinha no pódio (a outra da Lotus foi no GP do Bahrein). E que viu Sebastian Vettel (RedBull) chegar em quarto lugar e Fernando Alonso (Ferrari) – o aniversariante do dia – em quinto, mantendo a liderança do campeonato (164 pontos). Apesar do fim de semana em que a Ferrari não demonstrou a mesma força das últimas etapas, o resultado na Hungria foi bom para o campeonato. Jenson Button (McLaren) chegou em 6º; Bruno Senna em 7º (um resultado muito expressivo, já que tinha largado na nona posição); Mark Webber (RedBull) chegou em oitavo – e está 40 pontos atrás de Alonso; Felipe Massa (Ferrari) em 9º e Nico Rosberg (Mercedes) em 10º.

Uma breve curiosidade: A primeira corrida na Hungria foi disputada em 1986 e teve dobradinha brasileira: Nelson Piquet (Williams) venceu, com Ayrton Senna (Lotus) em segundo. Em todos os anos a prova acontece no circuito de Hungaroring, situado na cidade de Mogyoród, próximo de Budapeste, capital da Hungria. E uma ultrapassagem que entrou para a história da Fórmula 1 aconteceu justamente na corrida de estreia e com os dois brasileiros. 
Confira:


Em uma temporada em que tudo pode acontecer, é fato que a prova deste fim de semana não empolgou muito. Deu pra perceber, não é mesmo!? Esperamos que esta tenha sido a última dessas provas que dão sono… Agora a Fórmula 1 para por um mês. A 12ª e próxima etapa será no dia 2 de setembro, em Spa-Francorchamps, na Bélgica. 

Mas aqui no #elascomentam a gente não para, não.

Twitter: @prikinder


sábado, 28 de julho de 2012

Jacarepaguá: a despedida agora é pra valer!



**postagem publicada originalmente em 18/07/2012 no #elascomentam: http://www.elascomentam.com.br

No último domingo, a sexta etapa do campeonato brasileiro de Stock Car foi disputada no autódromo internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. A vitória ficou com o piloto Allam Khodair (Vogel-Motorsport). Mesmo com um oitavo lugar, Cacá Bueno (Red Bull Racing) assumiu a liderança na competição, com 99 pontos. 

Esta seria somente mais uma corrida da temporada 2012, não fosse o significado que ela tem para a história do automobilismo brasileiro. E dessa vez parece que o adeus é mesmo definitivo: foi a última corrida da Stock Car disputada no autódromo carioca antes dele ser completamente desativado para dar lugar ao Parque Olímpico, espaço de competições durante os jogos da Rio-2016. A previsão é de que até o segundo trimestre de 2013 as instalações temporárias e permanentes para as Olimpíadas já estejam em construção. Vale lembrar que parte de Jacarepaguá foi desativada há alguns anos para dar espaço às instalações dos jogos Pan-americanos de 2007.

A história do autódromo de Jacarepaguá começa em 1977, quando ainda se chamava Autódromo da Cidade do Rio de Janeiro e tinha 5.030 metros de extensão. Vale a pena voltar no tempo e assistir a este vídeo do Arquivo Nacional – realizado pela Agência Nacional – com imagens da primeira corrida: a Fórmula VW 1.600 Super-V, disputada em 7 de agosto.

 

Em 1978, e de 1981 a 1989 o autódromo de Jacarepaguá sediou o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Em 1988, passou a se chamar Autódromo Internacional Nelson Piquet, em homenagem ao piloto tricampeão. De 1995 a 2004 foi palco da MotoGP. E entre 1996 e 2000, recebeu as etapas sul-americanas do campeonato da CART – sem esquecer, é claro, da vitória do piloto brasileiro André Ribeiro na estreia da Rio400 no circuito oval no dia 17 de março de 1996. Havia uma promessa de que quando Jacarepaguá saísse do mapa, outro autódromo seria construído em Deodoro, na zona oeste do Rio de Janeiro. Mas até agora, o que se sabe mesmo é que a briga para liberação de licença ambiental está entre o Ministério Público Estadual e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. A seguir, cenas dos próximos capítulos.

Desenho conceitual do novo autódromo (Divulgação)
Há quem diga que o legado que será deixado depois da Rio-2016 nesta região  (por se tratar do primeiro centro olímpico de treinamento da América do Sul) seja maior do que representa o autódromo para a história do automobilismo brasileiro. As críticas pelo fim do autódromo são muitas, afinal são tantos interesses envolvidos –  econômicos, políticos, imobiliários, entre outros – que diante de se manter um local para a prática do automobilismo tudo fica pequeno demais em relação ao esporte. A despedida tem um tom de tristeza. Seja para quem só acompanhou as corridas pela televisão (como eu), para quem conheceu de perto o autódromo e, principalmente, para os pilotos que puderam correr em um dos circuitos mais importantes de todo o Brasil.

Mas para os apaixonados por velocidade que querem se despedir de Jacarepaguá ainda há chances: neste fim de semana (20, 21 e 22 de julho) podem aproveitar para assistir a quarta etapa do campeonato brasileiro de Gran Turismo (GT3, GT Premium e GT4), além das disputas do Mercedes-Benz Grand Challenge, das motos do Elf SuperBike e os protótipos do Campeonato Brasileiro de Spyder Race.

domingo, 24 de junho de 2012

Quando o talento faz a diferença

Uma das definições de "talento" no dicionário se refere à "agudeza de espírito, disposição natural ou qualidade superior". E esta é a palavra que, para mim, resume duas corridas disputadas neste domingo em Valencia, na Espanha. 

Luiz Razia - Divulgação: GP2
Talento na vitória do brasileiro Luiz Razia, da Arden, na GP2. 

Com quatro ultrapassagens nas duas últimas voltas, o baiano venceu pela terceira vez na temporada. E também foi pela segunda vez ao pódio neste fim de semana. Agora, apenas um ponto separa Razia do líder do campeonato, o italiano Davide Valsecchi. A vitória do talento de quem está aproveitando oportunidades para merecer o título da GP2 e trazê-lo pela primeira vez para o Brasil. 

Pra quem quiser conferir as voltas finais em Valencia, vale a pena conferir:




Talento na vitória de Fernando Alonso.
Fernando Alonso vence em Valencia, na Espanha

Segundo ele, a melhor e incomparável em termos de emoção. O bicampeão mundial largou na 11ª posição, fez uma corrida agressiva e com várias ultrapassagens foi abrindo o caminho em direção a mais uma conquista. Estava na terceira posição até o safety car entrar para a retirada de detritos que estavam na pista. Mas com a quebra do carro de Sebastian Vettel, da Red Bull, que liderava a prova, e a ultrapassagem sobre o francês Romain Grosjean, da Lotus, Alonso se manteve em primeiro até a bandeirada final. 
Talento e sorte, sem dúvida.

E o que vimos hoje foi um Alonso visivelmente emocionado. Chegou a lembrar os bons tempos de Ayrton Senna com a bandeira nas mãos dentro do cockpit. Parou o carro e saudou a torcida espanhola. Até foi preciso um carro da organização buscá-lo para que chegasse no pódio. Ali, ele chorou ao ouvir o hino espanhol.

Abaixo, podemos conferir um vídeo do Grupo INTV (Espanha) sobre a vitória de Alonso.


Ele não é unânime nem o mais simpático dentro do universo da Fórmula 1. Mas sem dúvida Alonso é hoje o melhor piloto em atividade: um talento muito acima de qualquer outro e é a principal diferença do carro da Ferrari nesta temporada. Tanto que o bicampeão espanhol agora é líder do campeonato com 111 pontos, seguido de Mark Webber (91), Lewis Hamilton (88) e Sebastian Vettel (87).

Nos 62 anos de existência, o campeonato mundial de Fórmula 1 nunca esteve tão equilibrado. Por isso, não se pode negar que a temporada deste ano é uma das melhores que temos notícias. São sete vencedores diferentes em oito grandes prêmios disputados.

Talentos que gostamos de ver. E de torcer!
Que venha Silverstone, na Inglaterra!!!


sábado, 26 de março de 2011

Temporadas de alta velocidade: Fórmula 1 e Fórmula Indy

Neste fim de semana, as duas principais categorias do automobilismo mundial dão a largada para a Temporada 2011. A Fórmula 1 abre o campeonato com o Grande Prêmio da Austrália, disputado em Melbourne, e a Fórmula Indy, com o GP de São Petersburgo, nos Estados Unidos.


Foto: Getty Images
 Na F-1, o treino de classificação mostrou que Sebastian Vettel, o campeão de 2010, começou acelerando muito em busca do bicampeonato. O alemão da Red Bull conquistou a primeira posição do grid com quase um segundo de vantagem sobre Lewis Hamilton, da Mclaren, o segundo. E o australiano Mark Webber, companheiro de Vettel, vai largar na terceira posição.


A temporada deste ano traz algumas mudanças:
- Asa traseira móvel: para tentar aumentar as ultrapassagens, os pilotos poderão alterar o ângulo do aerofólio por meio de um botão no volante.
- Kers: o sistema que aproveita a energia gerada nas freadas e a transforma em potência para o motor. A diferença é que, como não há mais reabastecimento, os tanques de combustível são maiores, o que dificulta a localização de um lugar para a bateria do kers.
- Caixa de câmbio: até o ano passado, cada uma precisava durar por quatro corridas, Agora, elas terão que durar cinco GPs. Caso sejam trocadas antes, o piloto perde cinco posições no grid.
- Rodas: para evitar acidentes, as equipes precisam colocar uma segunda amarração em cada uma das rodas.
- Pneus: a Pirelli, fornecedora de pneus desta temporada, vai diferenciá-los pelas cores de seu logotipo: chuva (laranja), intermediário (azul), supermacio (vermelho), macio (amarelo), médio (branco) e duro (prata).
- Tempo limite: durante a primeira parte da classificação (Q1), o piloto que não marcar um tempo no limite de 107% da volta mais rápida não correrá.
- Toque de recolher: as equipes estão proibidas de trabalhar nos circuitos da meia-noite às 6h (quando o treino começar às 10h) e da 1h às 7h (quando o treino for as 11h). Durante o ano, cada equipe pode quebrar essa regra quatro vezes.


Dos quatro pilotos que o Brasil tinha o ano passado, apenas dois vão disputar essa temporada: Felipe Massa, pela Ferrari, e Rubens Barrichello, pela Williams. Lucas di Grassi ficou sem vaga e Bruno Senna é piloto de testes da Lotus Renault.


Preparação do australiano Will Power em S. Petersburgo
Foto: Dan Helrigel
Já na Fórmula Indy, a primeira corrida da temporada terá cinco brasileiros na pista: Hélio Castroneves (Penske), Tony Kanaan (KV Racing), Vitor Meira (AJ Foyt), Bia Figueiredo (Dreyer & Reinbold) e Raphael Matos (AFS). A poleposition ficou com o australiano Will Power, da equipe Penske, que no ano passado ficou em segundo lugar no campeonato, vencido pelo escocês Dario Franchitti. 
Mudanças mais significativas na Indy só devem acontecer no próximo ano, quando a Firestone deixa de fornecer pneus para a categoria. 


Creio que na Fórmula Indy, as equipes Pense e Ganassi são as favoritas dessa temporada. Na disputa pelo campeonato devem estar Will Power, Dario Franchitti e Scott Dixon. Já na Fórmula 1, a Red Bull tem condições de se destacar entre as equipes, mas Mclaren e Ferrari também devem trabalhar bastante. Sebastian Vettel começa como favorito para conquistar o bicampeonato.


Pode até ser que campeões mundiais como Vettel, Button, Hamilton, Alonso queiram acelerar muito neste ano para chegar sempre na frente. Mas como são os 'deuses da velocidade' que mandam e desmandam no automobilismo, também pode ser que as mudanças nos carros e os novos pneus sejam itens diferenciais até a primeira metade do campeonato de Fórmula 1. E que pelo menos isso consiga reservar algumas disputas emocionantes neste mundial.