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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Em busca de novos recordes



texto originalmente publicado no site #ElasComentam em 06 de novembro 2013
Sebastian Vettel até poderia ter se contentado em ser o mais jovem tetracampeão mundial de Fórmula 1, mas ele não quer saber de ficar para trás nesta temporada. Apesar de ter declarado que quebrar recordes não está entre as prioridades, o piloto da Red Bull está no caminho de, a cada corrida, superar as marcas pessoais e aquelas que ainda fazem parte da história da categoria. Por isso, ele venceu mais uma.
Dessa vez, o cenário da vitória foi o circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi. Um lugar onde as imagens mostradas pela televisão geralmente compensam a falta de emoção da corrida. A largada é dada ao final do dia no Oriente Médio e o espetáculo fica bonito mesmo quando acompanhamos o por do sol no horizonte e a chegada da noite na pista, que é toda iluminada, e deixa em evidência o aspecto moderno e futurista do circuito projetado pelo alemão Hermann Tilke.
Pela sétima vez consecutiva Vettel subiu ao lugar mais alto do pódio e se igualou ao ídolo (dele) Michael Schumacher, que também conquistou sete vitórias seguidas na temporada de 2004. E caso a maré de sorte continue ao lado do jovem campeão, ele ainda tem tempo de quebrar outro recorde se vencer as duas próximas provas (Austin-EUA e Interlagos): poderá alcançar a marca de Alberto Ascari, que venceu nove vezes seguidas pela equipe Ferrari.
Esse é o recorde mais antigo a ser alcançado por Vettel, já que as vitórias de Ascari foram conquistadas entre as temporadas de 1952 e 1953. O italiano venceu os GPs da Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, Holanda e Itália e em 1953 os da Argentina, Holanda e Bélgica. Mas há quem questione essa marca porque, naquela época, a segunda prova do mundial de 1953 foram as “500 Milhas de Indianápolis”. Por uma questão política, a corrida nos Estados Unidos fazia parte do calendário da F1, mas pilotos e equipes que corriam na Europa não participavam da prova. Isso poderia reduzir o recorde de vitórias consecutivas do italiano, mas se pensarmos neste contexto essa marca é dele.
E para quem gosta de números: em Abu Dhabi o piloto da Red Bull alcançou a 37ª vitória e o 60º pódio da carreira em seis campeonatos disputados até agora e quatro títulos. Se ele é fenômeno, se ele é prodígio, se ele é gênio… não importa. A cada temporada Vettel amadurece e mostra que se dedica muito ao que faz, e de um jeito único e diferente de outros campeões: com alegria. Inclusive porque comemorou a vitória em Yas Marina novamente com um “zerinho”. (Mas dessa vez ele levou o carro para os boxes e a FIA não o advertiu.)
#Rapidinhas
GP2: Fabio Leimer (Racing Engineering) conquistou o campeonato da GP2 no final de semana em Abu Dhabi. O suíço levou o título ainda na primeira prova, no sábado, ao chegar em quarto lugar e aproveitar que o rival Sam Bird (Russian Time) teve problemas e terminou na décima posição. O brasileiro Felipe Nasr, que tinha chances matemáticas de colocar a mão na taça, ficou com o quarto lugar no campeonato. O piloto da Carlin fez uma boa temporada e apesar de não conquistar o título, conseguiu se destacar. Há quem diga na rádio paddock que ele será contratado pela equipe Willians como piloto de testes para 2014. Estamos na torcida.
Stock Car: No próximo final de semana, os carros da Stock Car vão acelerar no autódromo internacional Nelson Piquet, em Brasília, pela 10ª etapa do campeonato. Sete pilotos estão na briga para conquistar o título desta temporada: Daniel Serra (172), Thiago Camilo (161), Cacá Bueno (160), Ricardo Maurício (160), Valdeno Brito (120), Max Wilson (117) e Marcos Gomes (102). Mas o campeão mesmo só vai ser conhecido na última prova, que será disputada em Interlagos. Na penúltima etapa nenhum dos líderes pode abrir mais do que 48 pontos de vantagem necessários para conquistar o título. Vale lembrar que em Brasília estão em jogo 24 pontos e em Interlagos, 48 pontos, já que a última corrida terá a pontuação dobrada.
foto: Tom Gandolfini/AFP
twitter: @prikinder

domingo, 25 de novembro de 2012

Kimi: o eterno Homem de Gelo

(texto originalmente publicado no #elascomentam em 08/11/2012 - www.elascomentam.com.br )
Ele é da turma do “tô nem aí”. Por isso tem quem admire e também quem não entenda o estilo Kimi Räikkönen de ser. O finlandês, apelidado de Iceman (Homem de Gelo) pela postura fria em momentos em que está sob pressão, conquistou no último domingo o lugar mais alto do pódio no GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, pela 18ª etapa do mundial de Fórmula 1. Fez uma boa largada, passando do quarto para o segundo lugar e ainda aproveitou o abandono de Lewis Hamilton (McLaren) para se manter na liderança até o final da prova.

Depois de dois anos fora da F1, o piloto da Lotus/Renault subiu ao pódio sete vezes na temporada e só não marcou pontos no GP da China, em Xangai. No início do ano disse, durante os testes na Espanha, que voltou porque “queria voltar a correr”. Simples assim. A regularidade garante ao finlandês o terceiro lugar no campeonato, atrás apenas de Fernando Alonso, da Ferrari, e de Sebastian Vettel, da Red Bull.

E fazia tempo que o campeão da temporada de 2007 não subia no lugar mais alto do pódio!! A última vez havia sido no GP da Bélgica em 2009 pela Ferrari. Esta foi a 19ª vitória na carreira de Räikkönen. Além disso, ele se tornou o oitavo vencedor diferente da temporada de 2012. A corrida no circuito de Yas Marina também quebrou o jejum da Lotus: a última vitória do time inglês foi com Ayrton Senna, em 1987, no GP dos Estados Unidos.

E o “jeito Kimi de ser” é sempre algo que traz momentos divertidos ao, as vezes sério demais, universo da Fórmula 1. (Arriscaria dizer também que traz beleza, mas isso é opinião pessoal e aqui no #elascomentam apesar de ser permitido, poderia pegar mal…)

Quem acompanha a principal categoria do automobilismo mundial há pelo menos dez anos sabe que Kimi tem fala mansa, muita personalidade, mas quando abre a boca costuma ser bem verdadeiro… E em Abu Dhabi não foi diferente. Durante a corrida ouvimos algumas pérolas bem “A La Kimi” como o “just leave me alone. I know what to do” (Deixe-me sozinho. Eu sei o que faço). Ou ainda, enquanto o Safety Car estava na pista o engenheiro pediu pra ele cuidar dos pneus e escutou um “Yes, Yes, Yes… I’m doing all the time. You don’t have to remind me” (É o que estou fazendo o tempo todo. Você não precisa me lembrar). E para finalizar, ao vivo, no pódio, quando o ex-piloto e comentarista David Coulthard perguntou para o finlandês sobre a sensação de voltar a vencer depois de três anos. E ele simplesmente respondeu “nem tanta, na verdade”. Esse é o Kimi!

Para quem ainda não viu, este vídeo resume bem o áudio das frases dele, além do pódio com o Coulthard:


Em Abu Dhabi acompanhamos disputas de posições como há muito tempo não se via. Foram 55 voltas de uma corrida e tanto!! Principalmente por conta de Sebastian Vettel, líder do campeonato e o destaque da prova. Depois de ter sido desclassificado do treino oficial de sábado largou dos boxes. Fez uma corrida de recuperação, ganhou 21 posições desde a largada e terminou a prova em terceiro lugar, atrás do vice-líder Fernando Alonso. Para mim, o pódio em Yas Marina foi reservado especialmente para os campeões de uma nova geração. E que bom que temos pilotos assim para continuar gostando de acompanhar a Fórmula 1!

E o duelo Vettel x Alonso continua. No dia 18 de novembro, a disputa será no Circuito das Américas, em Austin, Texas (EUA). Uma pista nova que foi desenhada pelo arquiteto alemão Hermann Tilke. E bem ao estilo “Tilkódromo”, o traçado conta com uma reta de 1,200 quilômetros entre 20 curvas espalhadas por 5.500 metros. Austin tem tudo para entrar para a história do automobilismo caso Vettel conquiste o título antecipadamente. Para que isso aconteça a conta é simples: o alemão tem de fazer com que a diferença para o espanhol suba de dez para 25 pontos para sair do novo circuito como tricampeão mundial. Senão, a decisão fica para a última corrida no Brasil. O que seria uma ótima ideia!


Créditos das fotos: AFP

Twitter: @prikinder